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Tragédia nos USA alerta para a utilização do mercado de capitais sem o conhecimento e a experiência

Tragédia nos USA alerta para a utilização do mercado de capitais sem o conhecimento e a experiência necessários


Desde o início dos meus posts, no ano passado, venho alertando para os riscos da utilização do mercado de capitais sem um conhecimento mínimo do que se está fazendo.


Em matéria publicada na semana passada, no Financial Times de Nova York, foi relatada uma tragédia que lamentavelmente pode se repetir em nossa realidade. Em 12 de junho, um jovem de 20 anos, da cidade de Naperville, no Estado de Illinois nos Estados Unidos, se suicidou por acreditar que havia perdido US$ 730 mil em uma estratégia frustrada no mercado de opções. Alex Kearns era um estudante na Universidade do Nebraska que, aproveitando o fechamento das escolas pelo Coronavírus, começou a operar na Robinhood, uma corretora de valores online semelhante às grandes plataformas no Brasil.


Em um bilhete que deixou para sua família, Alex disse que “não tinha ideia do que estava fazendo” e que jamais havia “pretendido aceitar um risco desse tamanho”. O triste nessa história é que, segundo informações da corretora, Alex não havia perdido os US$ 730 mil, o equivalente a R$ 4 milhões; ele confundiu a perda potencial com o resultado final da opção.


Em meu post, A importância do Conhecimento e dos cabelos brancos durante o pânico do mercado, publicado em 13/03/20, disse “Nos últimos anos, tenho acompanhado e crescimento do número de pessoas que se autointitulam “Gurus de Investimento”, principalmente nas redes sociais. Acredito que muitos deles sejam bem intencionados e realmente acreditem que podem ajudar. No entanto, a falta de conhecimento técnico e de experiência de mercado os tornam armas de destruição em massa”.


Recentemente, a B3 divulgou que o número de investidores pessoa física cresceu 58% no primeiro semestre, chegando a 2,6 milhões em junho de 2020. É uma notícia para comemorar e, ao mesmo tempo, se preocupar. Comemorar porque mostra a utilização do mercado de capitais como instrumento de investimento, como já ocorre nas economias mais desenvolvidas. Porém, nos preocupa o quanto desses novos entrantes na bolsa realmente entendem e dominam o que estão fazendo. Aliado a isso, temos grandes mudanças ocorrendo no nosso mercado local, resultantes da expansão de um novo modelo de atuação no mercado baseado no “empreendedor do mercado financeiro”.


Não acredito que a tragédia ocorrida nos USA seja culpa do mercado de capitais. Quando compramos um carro e saímos para dirigir sem o conhecimento e a experiência necessários, somos responsáveis pelas consequências dos nossos atos. Caso ocorra uma tragédia resultante das minhas limitações, não podemos culpar o carro pelas consequências. Portanto, reforço minhas recomendações para antes de operar no mercado de renda variável: procurem estudar bastante sobre o assunto e comecem com estratégias mais simples, para só depois de muito aprendizado passarem a operar em mercados muito sofisticados como o de opções.


Juliano Pinheiro é uma referência em Mercado Financeiro e Mercado de Capitais. Ao longo de mais de 30 anos, construiu uma trajetória profissional abrangente. Possui vivência prática como executivo em instituições financeiras e gestoras de investimento; participa de conselhos das principais entidades de regulação e autorregulação do mercado financeiro e dedicou-se ao ensino e à pesquisa acadêmica dentro e fora do Brasil.


Fonte: Julianopinheiro.com/

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