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Rotação do capital

Toda a riqueza tende ao movimento, esta é uma verdade axiomática.


Tudo, portanto, gira ou circula funcionalmente na substância patrimonial.


Um conceito há muito tempo utilizado pela contabilidade, no estudo da riqueza em movimento, é o de rotação do capital.


A rotação do capital, ou giro, é a velocidade que um elemento tem, ao renovar-se, continuamente, em um tempo especifico, no devir da dinâmica patrimonial.


Os estudos da contabilidade nunca menosprezaram a rotação do capital, sendo este fenômeno, tema das obras dos grandes estudiosos de nossa gnose e até mesmo de outros ramos do saber.


No inicio da contabilidade cientifica, o frances Coffy (1836), pregava sobre “um dado capital”, alusão obvia da riqueza em funcionamento, e quando este autor escrevia sobre as “transformações” da riqueza, acabava pregando sobre; giros e rotações, pois, estes eram as “causas” e o significado dessas mesmas transformações.


Foi pelo aspecto de circulação que o Italiano Francesco Villa (1840) elaborava a estrutura do patrimônio, privilegiando em primeiro lugar a massa circulante, para logo após descrever a massa fixa da riqueza.


Até mesmo Karl Marx (1818-1883), estudou sobre a rotação desse mesmo capital, dividindo-a de modo interessante em três fases: a do capital monetário, capital produtivo e capital mercantil.


No patrimônio existe, portanto, uma parte fixa e circulante.


O capital fixo e capital próprio são aqueles que possuem uma rotação lenta.


O capital circulante e capital de terceiros são aqueles que possuem uma rotação rápida.


Portanto, tudo na riqueza circula funcionalmente (mesmo as partes fixas possuem uma circulação, mas que ocorre com outras condicionantes), contudo, a analise do giro é própria para os elementos circulantes, conforme foi a concepção de Hilário Franco (1973), contador benemérito das Américas, em seu livro “Estrutura Analise e Interpretação de Balanços” (Na página 162 e seguinte), sendo esta afirmação a que concordo.


É próprio para a analise contábil verificar a eficácia do giro do capital, a fim de verificar, se o mesmo produz a eficácia no patrimônio.


De modo especifico, a analise da rotação do capital deve ser realizada nos elementos da massa circulante (Ativo e Passivo circulante), respeitando logicamente as leis cientificas oriundas de pesquisas sobre este mesmo fenômeno.


As pesquisas em torno da rotação dos capitais, ou capital de giro, levaram Sá (1965) a defender em sua tese (publicada sobre o nome de “Teoria do capital das empresas”), que a velocidade de giro é fundamental para o equilíbrio do capital das empresas (tal pesquisa foi realizada em mais de 7000 balanços por vários anos).


A verdade é que uma adequada proporção na estrutura do patrimônio depende e muito, do processo circulatório dos valores.


Por exemplo, uma empresa comercial, dos ramos de roupas, para varejo, só possui um equilíbrio proporcional, quando consegue manter a velocidade do seu capital circulante, financiando o mesmo capital pelo de terceiros, atitude que dificilmente provocará prejuízo na estrutura da riqueza.


A compatibilidade da rotação dos capitais dos elementos circulantes deve também existir.


Ou seja, nunca a velocidade de renovação das dividas, poderá ser maior que a velocidade de renovação dos meios circulantes (caixa, créditos e estoque), para que não exista problemas de solvência do ente – patrimonial.


O tempo para se obter dinheiro, nunca, deverá se inferior ao tempo que se exige o dinheiro e quando esta lei é “quebrada” pelos gestores, a liquidez do empreendimento será ineficaz.


A ineficácia do capital de giro acaba se demonstrando primeiramente pela liquidez financeira do capital.


A resultabilidade da célula social também será afetada antes mesmo do equilíbrio estrutural da riqueza, para daí então a riqueza perder pouco a pouco a sua vitalidade.


Também é preciso ressaltar que: quando o capital circulante é ágil menos ele dependerá de recursos próprios.


Esta é outra lei cientifica que deverá ser observado pelos analistas contábeis.


Em uma joalheria, por exemplo, aonde existem elementos de porte raro e de pouca procura pela população, dificilmente se encontrará prazos suficientemente longos o bastante, para o financiamento do seu capital circulante.


Então tal atividade necessitará de outra fonte de recursos, que será o capital próprio.


As empresas com baixa rotatividade do capital deverão ser mantidas pelo capital próprio.


Por isso é comum, existir em empresas com baixo capital de giro, constantes acréscimos de capital próprio (tal ação é para reforçar o capital já que este não é financiado pela riqueza de terceiros).


O estudo da rotação do capital deverá, portanto, ser dividido em alguns aspectos de observação: a influencia da rotação no equilíbrio da riqueza, na liquidez, resultabilidade e nas origens de participação de recursos.


As peculiaridades relativas ao tipo de azienda, produto, atividade, ambiente, tempo de ciclo, não deverão ser menosprezadas pelo investigador.


Como dissemos anteriormente o primeiro reflexo da ineficácia da rotação dos capitais estará na liquidez da empresa, exercício de suma importância para a “vida” aziendal.


A “morte” de uma azienda ou empreendimento se dá primeiramente pela ineficácia do giro.


Portanto, a nós contadores, cabe observar de forma holística, os efeitos da rotação do capital de maneira a extrair conclusões e orientações eficientes, definindo modelos de comportamentos necessários, específicos e pertinentes para a eficácia e prosperidade aziendal.


Por: Rodrigo Antonio Chaves


Fonte: Profrodrigochaves.com.br/