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Qual a história da Bolsa de Valores?

Conhecer a história da Bolsa de Valores é interessante para todo investidor e acionista. As Bolsas de Valores ao redor do mundo são inegavelmente importantes e influenciam diretamente o sistema financeiro internacional.


Hoje, o mercado de negociações funciona em uma lógica globalizada e em um contexto completamente moldado pelos avanços tecnológicos. Mas, é importante se perguntar como essas negociações eram realizadas há séculos atrás, e como elas se originaram, em primeiro lugar.


A origem da Bolsa de Valores demonstra quais eram as principais necessidades que motivaram a criação de locais próprios para realizar as negociações. Além disso, tem muito a ensinar sobre o que esperar do futuro desse mercado. Confira a seguir.


História da bolsa de valores: As antigas negociações entre comerciantes

Como é possível imaginar, a história da Bolsa de Valores tem origem bastante remota. Alguns escritores, como Váquez de Prada, a buscaram no emporium dos gregos. Outros, no collegium mercatorum dos romanos ou nos fundacks (bazares) dos palestinos. Porém, não há uma definição histórica clara sobre seu surgimento.


O que se sabe é que as Bolsas de Valores surgiram, em épocas distantes, com atribuições que não as vinculavam especificamente a valores mobiliários. Sabe-se também que, durante toda a Idade Média e até o século XVII, as funções das Bolsas se resumiam à compra e venda de moedas, letras de câmbio e metais preciosos.


Vale lembrar que, antes, comerciantes se reuniam no centro das cidades para negociar ao ar livre, como qualquer mercado naqueles tempos. Mais do que isso, o comportamento dos mercados sintetizava o comportamento comercial que daria vida às Bolsas: as negociações à viva-voz, superando barreiras geográficas, linguísticas e ideológicas. Ainda assim, os negócios eram limitados por dificuldades de comunicação, escassez de capitais, ausência de crédito.


História da bolsa de valores: As sedes pioneiras de operações financeiras

Os primeiros encontros de comércio não realizados ao ar livre, mas sim em uma sede própria, aconteceram em Bruges, na Bélgica. Nos séculos XIII e XIV, a cidade era a capital do Condado de Flandres Ocidental e foi um importante centro comercial. Seu território abrangia uma parte da França, Bélgica e Holanda atuais. Lá, viviam cerca de 100.000 pessoas, uma população que superava as de Londres e Paris, as capitais dos dois reinos mais importantes de seu tempo.


A sede de reuniões relacionadas às operações financeiras era um edifício de propriedade da família de nobres belgas, os Van der Buerse, criado por Robert Van der Buerse em 1285. Nessa época, em Bruges, as casas não eram numeradas da maneira como você conhece hoje. Em vez disso, possuíam desenhos. Cada casa era conhecida pelo desenho que trazia.


O brasão de armas da família Van der Buerse era composto por três bolsas de pele, simbolizando honradez e méritos por sua atuação na área mercantil. Por isso, o edifício da família ficou conhecido como “a casa das bolsas”. Por extensão, em outras regiões, os locais onde se realizavam transações comerciais começaram a ser chamados de Bolsa.


No edifício da família Van der Buerse, se reuniam, periodicamente, um conjunto de pessoas influentes. Dentre elas, estavam mercadores, armadores e agentes de câmbio que realizavam operações financeiras entre si. Essas reuniões foram formalizadas em 1309 e passaram a ser conhecidas como “rodadas na Bruges Purse” (ou rodadas na “Bolsa” de Bruges). Os administradores do edifício ofereciam, ainda, aconselhamento financeiro a comerciantes e mercadores que frequentavam o local.


As primeiras Bolsas de Valores oficiais


Royal Exchange

A primeira Bolsa oficial surgiu em 1531, em Antuérpia, na Bélgica, designada por Nieuve Beurse. Nesta Bolsa, já se realizavam negócios especulativos influenciados por boatos que afetavam a evolução dos preços.


A instabilidade trazida por Bolsas com esse caráter mais especulativo levou a Inglaterra a construir sua própria Bolsa para assegurar uma maior proteção da sua economia. Dessa forma nasceu, em 1571, a Bolsa de Londres (Royal Exchange), que atuou como pilar do império britânico e adquiriu grande relevância nos séculos XVIII e XIX com a Revolução Industrial.


Amsterdam Stock Exchange

No início do século XVII, os mercados de valores evoluíram até chegarem ao que podem ser consideradas as primeiras companhias formalmente constituídas por ações na Holanda. Em 1602, a Verenigde Oostindische Compagnie (Companhia das Índias Orientais) que, na época, monopolizava a colonização na Ásia, foi a primeira a emitir ações dando origem a história da Bolsa de Valores de Amsterdã.


A Amsterdam Stock Exchange (Bolsa de Valores de Amsterdã) foi criada em 1602. Foi constituída por meio de recursos financeiros da Associação de Capitais vindos da Companhia Holandesa das Índias Orientais. Por ser a primeira Bolsa de valores com negociação de ações, passou a ser considerada a mais antiga da história da Bolsa de Valores a nível mundial. Nesta época, ocorriam negociações e, após elas, eram entregues comprovantes em papel dos ativos negociados.


Companhias mercantis

No século XVIII, essas instituições alcançaram grande desenvolvimento, em virtude das exigências de fé pública, que obrigavam os banqueiros a fracionar os empréstimos em títulos de participação. Com a expansão das sociedades por ações, a Bolsa assumiu papel preponderante na oferta e demanda de capitais, experimentando importante desenvolvimento com a criação das grandes companhias mercantis, ou Companhias das Índias (Grã-Bretanha, em 1599; Países Baixos, em 1602; França, em 1717; Espanha, 1755).


New York Stock Exchange

A New York Stock Exchange (NYSE), apesar de ser a mais importante Bolsa do mundo, não foi o primeiro mercado de valores institucional dos EUA. 40 anos antes de sua fundação, em 1791, havia sido criada a Bolsa de Filadélfia, fundada pelo Prefeito James Hamilton.


Em 1863, depois de passarem a operar em local fechado, a Bolsa de New York adotou o nome de New York Stock Exchange. Até essa data, seu nome era New York Stock and Exchange Board.


O acordo entre corretoras e comerciantes

Até o final do século XVIII, as negociações de títulos do governo e de toda a classe de mercadorias eram conduzidas por cinco corretoras. Dado que o volume do negócio foi prosperando, surgiram novos corretores que queriam aderir ao processo, o que provocou conflito entre eles.


Porém, em 17 de março de 1792, chegou-se ao acordo de Buttonwood Tree, nome inspirado em uma árvore nascida no final de Wall Street. O acordo foi assinado por 24 corretoras e comerciantes, no qual se fixavam as comissões a cobrar e a preferência no oferecimento de negócios.


No ano seguinte da adoção do acordo, o mercado de valores deixou sua antiga sede e estabeleceu-se o primeiro regulamento desta instituição inspirado no da Bolsa de Filadélfia.


Os impactos da movimentação das Bolsas

A partir do século XIX, as Bolsas restringiram sua atuação aos mercados de capitais (títulos e valores mobiliários). À medida em que surgiam os mercados de títulos representativos de mercadorias (commodities), foram criados locais específicos para sua negociação (bolsas de mercadorias).


Segundo a Federação Mundial de Bolsas, a história da Bolsa de Valores seguiu se caracterizando pelo fato de que, durante as últimas décadas, as bolsas de valores mobiliários passaram a desempenhar um novo papel. Sua função é de grande importância no sistema financeiro internacional, qualitativamente diferente de qualquer outro visto desde a Segunda Guerra Mundial. Em termos quantitativos, os mercados que operam por meio de bolsas regulamentadas cresceram em uma escala nunca antes imaginada, o que lhes atribuiu papel ativo e grande responsabilidade no centro da economia mundial.


Observe que a grande expansão da imprensa especializada também pode ser atribuída aos mercados de capitais. Em várias partes do mundo, as movimentações nos índices das Bolsas passaram a integrar o ritmo do dia a dia, sendo apresentadas em tempo real em diversos canais de comunicação. Quando ocorrem movimentações para cima ou para baixo, o fato logo torna-se notícia de alcance nacional. Sem dúvidas, você já viu esse fenômeno acontecer diversas vezes na prática.


Expectativas para o futuro da história da Bolsa de Valores

As Bolsas do mundo todo vivem um período de grandes transformações movidas pela globalização e pelo incessante avanço tecnológico. Afinal, ambos ajudaram a romper barreiras geográficas. Esse momento mais recente da história da Bolsa de Valores está sendo marcado por fusões, aquisições e parcerias que estão ocorrendo, não só dentro do território de cada país, nem mesmo dentro de limites continentais, mas através de continentes, criando as bolsas intercontinentais.


O processo de fusões e integrações de algumas Bolsas, além de tornar as empresas mais capitalizadas, traz importantes vantagens para a Bolsa resultante. A nova instituição fortalece sua marca, reduz seus custos e ainda consegue oferecer tecnologias de corretagem mais avançadas em um maior número de países e mercados. Tudo isso em uma única plataforma.


Atente-se, esse processo vem provocando importantes mudanças na configuração mundial do mercado bursátil. Se trata de uma tendência generalizada, que vai ampliar ainda mais a atuação dos serviços oferecidos pelas Bolsas. O resultado desse movimento será a redução na quantidade de Bolsas de Valores, restringindo-as a cinco ou seis grandes bolsas globais. Bolsas menores serão levadas à extinção, seja por meio de fechamento ou de sua venda para bolsas maiores.


Agora que você está ciente sobre a história da Bolsa de Valores em nível mundial, é uma boa ideia se aprofundar mais sobre a história da Bolsa de Valores brasileira, recentemente nomeada como B3. Confira agora mesmo essa conteúdo sobre o que é a B3 , saiba mais sobre como ela surgiu e se desenvolveu até se tornar a quinta maior Bolsa de Valores do mundo.


por Juliano Pinheiro é referência em gestão do patrimônio e curadoria de mercado de capitais.


Fonte: Julianopinheiro.com/

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