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Petróleo WTI para maio fecha em queda sem precedente de 300% e preço negativo

Mais um dia histórico para o petróleo em 2020. Depois de ter tido o pior trimestre já registrado nos três primeiros meses do ano, quando caiu perto de 65%, hoje os contratos futuros mais imediatos, com vencimento para maio, do West Texas Intermediate (WTI), a referência americana, fecharam em queda impressionante de quase 300% na Bolsa de Mercadorias de Nova York (Nymex).


O desempenho, jamais visto na história, levou o preço dos papeis para território negativo, a -US$ 37,63 por barril, o que significa que o dono do contrato terá que pagar para alguém caso queira se desfazer do papel que expira amanhã.


Até hoje, o nível mais baixo de fechamento de um contrato futuro mais próximo da data de vencimento do WTI foi em março de 1986, quando ficou em US$ 10,42 por barril, segundo dados do Dow Jones Market Data.


Os contratos para maio do WTI já não são os mais ativos e expiram amanhã, mas o tamanho do tombo sem precedentes carrega um simbolismo importante em meio às projeções recentes de queda da demanda agravada pela pandemia de coronavírus, que está levando o mundo a enfrentar a pior recessão econômica desde a crise de 1929, conforme reiterou hoje o Fundo Monetário Internacional (FMI).


“A complexidade dessa queda nos preços do petróleo está dificultando a vida dos ‘swing traders’. As consequências sobre a demanda bruta colocaram uma aversão permanente a qualquer um que possua petróleo no curto prazo”, comentou o analista da Oanda em Nova York, Edward Moya. “O colapso, no entanto, é principalmente um reflexo dos investidores que transferiram seus contratos para junho, pois ninguém quer receber a entrega já que a capacidade de armazenamento está chegando ao fim”, acrescentou, ressaltando que a diferença de valor entre os contratos de maio e junho do WTI reflete todos os fatores de desequilíbrio entre oferta e demanda em vigor neste momento.


De fato, embora os contratos com vencimento para junho do WTI também tenham fechado em queda consistente de 18,3%, a US$ 20,43 o barril, ainda se manteve acima do fechamento dos contratos para maio na semana passada (US$ 18).


Já os contratos para junho do Brent, a referência global, terminaram a jornada em queda de 8,93%, a US$ 25,57 o barril, na ICE, em Londres.


Apesar da maior parte do tombo histórico do WTI se dever à expiração dos contratos para maio amanhã, o colapso também reflete um excesso do crescente estoque de petróleo em Cushing, cidade americana no Estado de Oklahoma, principal centro de armazenamento do mercado petrolífero americano.


Os estoques de petróleo bruto em Cushing aumentaram 48%, para quase 55 milhões de barris desde o fim de fevereiro, segundo dados da Administração de Informação de Energia (EIA, na sigla em inglês). O hub tinha capacidade de armazenamento operacional de 76 milhões em 30 de setembro, segundo a agência do governo dos EUA.


Assim, o corte de produção de 9,7 milhões de barris por dia acertado pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) seguem perdendo a efetividade em meio ao cenário de derretimento da demanda pela commodity e o consequente agravamento no desequilíbrio entre oferta e procura.


Na semana passada, a própria Opep destacou em seu relatório mensal que espera que a demanda global por petróleo deve cair em 6,8 milhões de barris por dia em 2020. Somente para este mês de abril, o cartel projeta queda de 20 milhões de barris no lado da procura.


A previsão da Agência Internacional de Energia (AIE) é ainda mais sombria e aponta uma queda recorde de 9,3 milhões de barris por dia na demanda global de petróleo neste ano, um número significativamente maior que a estimativa da Opep.


Por Rafael Vazquez, Valor


Fonte: Valor

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