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Os vícios e as fraudes

Interessante que todos os casos de fraude que tivemos notícia em nossa vida profissional e na conversa com outros colegas, todos sem exceção, têm uma origem na MALDADE HUMANA.


Todos os casos que soubemos tinham relação direta com a ALIMENTAÇÃO DE VÍCIOS.


A virtude é a força de Deus no homem, é o poder da consciência, é a ação benigna, aquilo que nos leva a fazer o bem e a lutar contra o mal.


O vício é um hábito mau, uma coisa desordenada, uma perturbação, um descontrole, uma bagunça, uma ação má.


Todos os casos que nós vimos ou tivemos notícias em matéria de auditoria patrimonial, tiveram ligação direta com a alimentação dos vícios, da maldade, e das mazelas humanas. Eram atos pecaminosos. Baixos. Nunca tiveram uma condição equilibrada dentro dos costumes mesmo pagãos. E o pior de tudo, não tinham bandeira de religião, ou seja, todos os que fraudavam tinham um tipo de religião, alguns eram até mais “doentes” que outros.


Daremos alguns exemplos que sabemos e soubemos, claro que mudando totalmente a versão dos casos reais; todos os fatos não terão igualdade com a realidade, apenas base, aqueles que tentarem achar a mesma simetria o será por mera coincidência. Observemos:


Caso 1: Fraude nas vendas de uma empresa

A empresa x tinha três vendedores. Um deles até isento de suspeitas porque era um religioso fervoroso na religião dele. Tinha filha e esposa. O outro quase a mesma coisa. Esses dois, no entanto, tinham o DESEJO DE FICAREM RICOS a qualquer modo e em quaisquer maneiras.


Com uma frouxidão no controle interno em relação ao pagamento das comissões, e a permissão de se receber o dinheiro. Os dois “fervorosos” começaram a desfalcar o caixa da empresa. Parece que a “oração” deles não fora suficiente para coibir seus descontroles.


Não havia conferência a comissão recebida, muito menos as vendas recebidas em dinheiro.


Por exemplo, se eles fossem vender e recebiam R$ 5.000,00, devolviam ao dono da empresa R$ 4.000,00 sem a conferência, e quando questionados surgia a desculpa que eram custos ligados a notas falsas, ou supostas comissões, ou mesmo pagamento de coisas pessoais ou necessidades urgentes.


O coração de mãe do dono, foi permitindo aos poucos, sem a conferência, desfalques que eram pequenos de R$ 100,00, porém, podiam chegar a R$ 1.200,00.


As fraudes foram se multiplicando durante os meses.


Até que se contrata um auditor patrimonial para fazer uma revisão geral dos controles e do patrimônio.


Quando se foi levantar o valor da comissão, e ainda o valor total das vendas, encontrou-se claramente pequenas diferenças entre as entradas financeiras, os volumes vendidos, e as supostas comissões.


Para cada um em um ano fora desfalcado aproximadamente R$ 70.000,00.


Com a apuração da fraude, a comprovação, o interrogatório particular, e a reunião, confessaram o crime, pedindo para saírem da empresa à custa de diferenças de processos, e valores de ressarcimento.


Caso 2: Valor concentrado de comissão

Numa empresa de serviços, contrata-se uma auditoria, a qual percebe uma diferença muito grande nas comissões dos vendedores.


Enquanto os salários médios eram de R$ 2.000,00 um vendedor recebia R$ 36.000,00.

Arguindo o porquê no levantamento, constatou-se que ele era sobrinho do tio e por tal tinha uma “regalia”.


O tio era o dono da empresa. E o contratante daquele auditor.


O problema maior não era esse, os funcionários trabalhavam no departamento das vendas mas tinham poucas comissões, tudo ficava nas mãos do mesmo sobrinho.


Em conversa com os funcionários, notou-se que o sobrinho gostava de ALIMENTAR GOSTOS SEXUAIS EXCÊNTRICOS e era bastante descontrolado, não respeitando sequer os rapazes que trabalhavam na limpeza.


Ao saber que as pessoas comissionadas recebiam valores abaixo do devido, e tinham até direitos a mais, comprovou-se que ele conseguia subverter o nome e o login para a sua conta, ou seja, ele não apenas fraudava para si, roubando dos outros, mas roubava do próprio tio, pois, pouco tempo ficava na empresa, deixando os comitentes trabalhando para ele.


A fraude foi constatada mas como no Brasil muitas vezes tudo fica “elas por elas”, o sobrinho continuou na empresa, agora sendo mais bem controlado pelo seu tio.


Caso 3: Uso indevido da tesouraria

A mulher de fulano tinha uma grande VAIDADE.


Uma senhora, baixa, de quase setenta anos, mãe de dois filhos, avó, queria apresentar-se cada vez mais “bonita”.


Mesmo sendo uma senhora, sem um corpo bem definido, pois, sua juventude já tinha passado, o vício psicológico de não aceitar a idade e querer ser uma coisa que não é, a levava a COSTUMES EXTRAVAGANTES, então, gastava rios de dinheiro com cirurgias, com silicone, com cremes, massagens, salão, alguns desses custos periodicamente, outros quase que semanalmente; notando apenas algumas diferenças, no seu lindo corpo de avó de setenta anos, já lhe eram suficientes para “mudar o visual”.


Pois bem, o problema que a empresa do seu marido estava em níveis de dificuldades financeiras. Pouca, mas, estava.


Contrata o nobre comerciante um analista para fazer um diagnóstico financeiro geral.

Ao constatar que os volumes médios que entravam eram na marca de R$ 250.000,00 e as saídas eram de R$ 210.000,00 conclui uma solução para o caso.


Todavia, sempre a conta bancária estava em negativo.


Não entendia o porquê, a empresa não tinha empréstimos altos, pagava tudo em dia, vendia bem, a carteira não era inadimplente, os funcionários trabalhavam direito, não havia descontrole no caixa, mas alguma problema havia.


Neste caso, fundamental é observar o coração da empresa, que está na TESOURARIA.


Ao verificar os controles da tesouraria, o analista encontra problemas sérios de contagem, inclusive, com saídas grandes, o que fazia não ter uma alimentação adequada dos saldos bancários. O saldo não batia. O tesoureiro pouco falava. A fraude parecia estar com ele, embora, denotasse ser muito honesto no interrogatório.


Geralmente a cada mês saia de R$ 5.000,00 a R$ 60.000,00 o que batia com algumas diferenças enormes que existia na conta bancária.


No outro dia ao voltar na empresa o analista, bem de manhã, o tesoureiro confessa: “Houve mais uma vez”. “O que?”. Pergunta. Aí ele confessa que a esposa do dono era a que mais ia para a tesouraria, quase toda a semana, pegar um valor financeiro. “Agora foi trinta mil”. Confessava. Então, fez-se as apurações, e contabilizou-se a verdade. Sem assinatura, ela tirava o dinheiro. E sem nenhuma ordem de pagamento. Para os seus interesses de “beleza”.


Levou-se o caso para a direção da empresa, e neste sentido o marido como a amava muito e queria a mulher cada vez mais chique e “bonitona” no auge dos seus setenta anos, nada fez, deixando por conta do amor os desfalques.


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Sempre é assim, os desfalques, as fraudes, os roubos, os crimes, são ligados a pessoas que abusam da confiança e fazem o que podem e não podem para roubar com a frouxidão. E todas as fraudes são originadas dos VÍCIOS HUMANOS, das alimentações da MALDADE E DA PERVERSIDADE que existem no mais fundo do ser humano. Infelizmente. Essa mazela original perfaz-se em todos os casos de fraudes nitidamente.


por Prof. Rodrigo Antonio Chaves da Silva - Contador e auditor


Fonte: Rodrigoantoniochaves.blogspot.com/

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