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O objeto da auditoria contábil

Toda ciência tem um objeto especifico, alguns ainda dividem este termo de estudo, entre objeto formal e objeto essencial, estas caracterizações parecem ser contraditórias, mas vamos entremear estas para criar um apenso de observação.


Para toda a ciência há uma matéria e uma forma a ser estudada. O termo matéria como mais amplo, um conteúdo a ser observado. E a forma também, um elemento que permite a visualização e a inteligência por sobre aquele conteúdo.


O objeto real ou essencial é aquele que realmente se estuda uma ciência.


No caso da Contabilidade o seu objeto essencial é o patrimônio como conjunto, ou melhor dizendo os fenômenos patrimoniais, nas variações do seu objeto como completo.


Mas há um objeto formal, o qual dá uma forma, ou permite a inteligência por sobre um objeto.


Assim as formas da Contabilidade são identificadas como as informações sobre o patrimônio, e o termo informação é o mais próximo do que entendemos como “forma”, isso porque o termo “informação”, significa “formar algo de dentro” ou “dar forma a algo”, este “algo” é o fenômeno ou o objeto patrimonial, que formalizado terá uma estrutura um esquema de informações.


As confusões entre formas e essências existem até hoje, primeiramente numa interpretação mal feita do princípio da essência sobre a forma, e segundo ainda numa visão malfadada do que é um objeto.


Na primeira condição, a interpretação da essência sobre a forma não pode confundir o que é direto do que é indireto, assim sendo um fenômeno não se confunde com a sua propriedade. É comum os organismos internacionais traduzirem ativo como uma capacidade de gerar bens financeiros ou fluxo de caixa, e que não tendo estas características não seria ativo, como se a propriedade, se for negativa, deixasse de fazer uma coisa ser o que é. Isso é definição indireta para um elemento direto, de gênero ou espécie, o que constitui como erro de raciocínio.


Inclusive, há outra definição que admite o ativo como capacidade futura, o que é erro de tempo na classificação do gênero de ativo.


Nestas tautologias que se mantém as definições dos órgãos internacionais.


Outro problema de definição da essência sobre a forma, é a troca constante de uma forma como se fosse algo essencial. Então, se tenho um contrato que não houve manifestação de riqueza, mas se há um usufruto do contrato, alguns pensam que ele deverá ser registrado com ativo. Ou se não tenho forma de bem, que devo pelo “uso” contabilizar um bem, que não pertence à atividade. É o erro clássico do leasing, que não tem essência de patrimônio, porque não foi investido, mesmo assim, ele é “obrigatório” de ser entendido como “emprego de capital” sob às vistas de quem discorda da posição errônea estar “desatualizado”. Se admite em Contabilidade uma forma sem essência, sob o endosso dos institutos internacionais e das academias “mais fortes”.


Nestes dois pontos principais de mistura, ou mesmo de confusão, temos o primeiro problema da definição de um objeto essencial.


Este dois problemas levam a um terceiro do que seria a essência de um objeto, ou mesmo dizendo, o que é o objeto.


Logo, no caso da Contabilidade o seu objeto é o patrimônio aziendal, e não a forma, isto é, a informação.


Se tenho que estudar o patrimônio, e criar regras para a sua gestão, a informação é um instrumento processual, uma forma para se alcançar um fim.


Pois a academia hoje formal no Brasil entende o contrário, que o fim serve ao meio, ou seja, o patrimônio serve à informação, a gestão serve à informação, o estudo contábil serve só para informar, e não se poderá fazer o contrário, de tal maneira, que toda a definição contábil fora do que é a informação, é admitida como “teórica demais”.


Esse é o caso da definição da Ciência Contábil: uma ciência das informações, e não uma ciência com um objeto formal e essencial.


Seria até melhor dizer, nesta definição viciada, que a Contabilidade é uma ciência sem objeto. Ou uma “ciência”. Ou uma ciência com “objeto”.


Quando chegamos no conceito abstrato do que é a informação, chegando nas rédeas da biblioteconomia, do jornalismo, ou do mero dado, vemos claramente que houve destruição do conceito de Contabilidade, colocado fora de contexto, e de maneira absolutamente inadequada.


Estes erros lamentavelmente fazem amalgamar a mente de quem estuda a auditoria e o seu objeto direto.


A correta colocação dos termos faz transparecer melhor o que seria a auditoria.


A auditoria é a técnica, ou uma das técnicas contábeis, por tal ela não tem um objeto essencial próprio porque não é uma ciência.


Nossos irmãos portugueses, alguns, definem a auditoria como ciência, todavia, pode ser admitido isso em certos termos quando avaliamos o conhecimento para se fazer as técnicas e suas aplicações com implicações lógicas nas empresas. Mas no sentido de ciência superior ou autônoma, é inteiramente falsa a tentativa de colocar à auditoria o campo científico. Ela não tem outro objeto essencial que o patrimônio. E não é conhecimento autônomo.


Então, a auditoria como técnica da Contabilidade, possui um objeto específico da sua própria aplicação que são as formas contábeis, isto é, as demonstrações e o processo de informação.


Para uma auditoria ser bem feita ela deve focar:


Os princípios e conceitos que regem a informação e o patrimônio

O processo e as bases contabilísticas que fizeram esta informação

A revisão do processo tal qual se entende

A crítica do processo com modelos de alteração

O esquema de controles para colocar os processos de informação em termos ideais

O relatório de diagnóstico patrimonial ou do processo de informação

A conclusão sobre a veracidade das informações contábeis


Portanto, uma auditoria muito bem feita, tem que focar nestes aspectos de tal maneira que é impossível a esta técnica ter outro objeto que não o próprio formal.


Isto é, a auditoria tem como objeto da sua aplicação o objeto formal da Contabilidade, isto é, as informações e demonstrações contábeis.


Se a auditoria contábil for ciência e a Contabilidade também, ambas teriam o mesmo objeto, o que é absolutamente falso, mas que se admitiria verdadeiro pela confusão atual.


Não temos ainda os fundamentos gerais para se proclamar a auditoria uma ciência particularizada porque ela carece de métodos gerais que assim estabeleçam, sendo ela mesma um tipo de método (tendo que admitir a tese “de ciência” como igual também a da estatística, sendo que lhe falta a fundamentação de um objeto específico, que não o de qualquer ciência).


Ademais ainda as colocações da auditoria geral como passíveis a qualquer ciência, como no caso ao direito, à política, à pedagogia mais dificuldades teríamos de proclamá-la em si como ciência, ou dentro da Contabilidade como ciência.


Se a Ciência Contábil tem um objeto e um método, é claro que a técnica auditiva se esclarece como um dos métodos científicos da Contabilidade mais importantes para a revisão, controle, e testemunho da credibilidade dos balanços e dos patrimônio.


Ao mesmo tempo, o objeto formal da Contabilidade sendo a informação é o da auditoria o foco principal, e não pode ser diferente, pois, realmente a atestação da qualidade dos balanços patrimoniais que é o principal fim desta técnica.


Por: Rodrigo Antonio Chaves


Fonte: Profrodrigochaves.com.br/

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