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O EBITDA é uma boa medida de análise da saúde financeira de uma empresa?

O EBITDA é o resultado de caixa gerado pelas operações internas da empresa. É calculado através do resultado apurado pela empresa no exercício antes de serem descontadas as despesas de juros com empréstimos e financiamentos, despesas de depreciação, amortização, e despesas de impostos sobre lucros (IR/CSLL, basicamente). Esta medida expressa o caixa gerado pelas operações internas de um negócio, sendo utilizada para avaliar o desempenho operacional da empresa. Os recursos gerados pelas operações não incluem despesas financeiras; os juros calculados de dívidas (empréstimos e financiamentos) são decisões de passivos, e não de ativos. O EBITDA é essencialmente a geração de caixa dos ativos operacionais da empresa antes dos impostos. A formulação básica de cálculo do EBITDA apresenta-se da seguinte forma:

O EBITDA pode, muitas vezes, passar uma ideia equivocada de que a empresa se encontra em uma posição de folga financeira, quando na verdade a situação é bem diferente. O indicador pode também considerar em seu cálculo algumas receitas e despesas classificadas como de natureza “não operacional” (entendidas como não operacionais receitas/despesas decorrentes de operações fora da atividade objeto da empresa), não recorrentes (tendem a não se repetirem no futuro) ou provenientes de operações descontinuadas. O EBITDA apresenta ainda outras limitações importantes para ser o indicador principal da saúde financeira da empresa. É recomendado que seu uso não seja de forma isolada, e sim avaliado junto com outros indicadores financeiros para uma conclusão mais completa da efetiva liquidez da empresa. A saúde financeira não é revelada por um único resultado ou pelos resultados de um único período, mas por uma visão mais abrangente e dinâmica da empresa trazida por outros indicadores de caixa. Importante ainda é reforçar a ideia de que a análise de um indicador financeiro em um único exercício social não revela a efetiva saúde financeira da empresa. Diversos eventos não recorrentes verificados no exercício não se repetirão em anos seguintes, invalidando as conclusões obtidas. Não se deve ignorar ainda que o EBITDA é interpretado como uma medida de geração de caixa, porém o seu cálculo é desenvolvido geralmente a partir da Demonstração de Resultados, apurada segundo o regime contábil de competência. Nem todas as receitas são transformadas em caixa, assim como nem todas as despesas são desembolsadas no exercício. Em consequência, é possível apurar-se um resultado de EBITDA elevado dos relatórios contábeis de uma empresa que se encontra com evidentes dificuldades de caixa. O que deve ser discutido é se o EBITDA é suficiente para se conhecer o potencial de geração operacional de caixa de uma empresa. Talvez a mais importante limitação do EBITDA como medida de geração de caixa é não considerar as necessidades de investimentos em capital fixo (CAPEX ) e as variações no capital de giro da empresa verificadas no exercício. Nesse caso o EBITDA pode se tornar uma falsa medida de liquidez de caixa. Uma empresa pode apurar um EBITDA positivo em determinado exercício, porém apresentar uma necessidade de investimento operacional superior ao caixa gerado, o que não é revelado em seu resultado. Esta situação enganosa é mais grave ainda em empresas com ativos de vida útil mais curta. Uma medida de geração de caixa mais completa de um negócio são os Fluxos de Caixa Livres (ou Disponíveis) da empresa. O termo Livre (Disponível) indica que são mensurados após as provisões de impostos sobre os lucros e também livres de todas as necessidades de investimentos da empresa em capital fixo (CAPEX) e capital de giro. São entendidos como gerados pelo negócio (antes das dívidas) e disponíveis para serem distribuídos aos proprietários de capital (credores e acionistas), ou utilizados para outras finalidades. Representa o caixa em excesso (disponível) produzido pelo negócio. A estrutura básica de cálculo do Fluxo de Caixa Livre apresenta-se da forma seguinte:

O Fluxo de Caixa Livre da Empresa dimensiona mais rigorosamente a capacidade da empresa em gerar caixa de seus negócios, independente da forma como se encontra financiada. É um indicador mais completo e essencial para se conhecer a liquidez de caixa, quanto a empresa gera de recursos operacionais líquidos disponíveis para cobrir seus compromissos financeiros com credores e remunerar os acionistas. Abaixo é apresentada um exemplo de cálculo do Fluxo de Caixa Livre de uma empresa a partir do EBITDA:

ALEXANDRE ASSAF NETO Economista e pós-graduado (mestrado e doutorado) em Métodos Quantitativos e Finanças no exterior e no país. Possui o título de livre-docente pela Universidade de São Paulo (USP). Professor Emérito da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEA-RP) da USP e atua como professor e coordenador de cursos de desenvolvimento profissional, treinamentos in company e cursos de pós-graduação lato sensu – MBA. Autor e coautor de vários livros e mais de 70 trabalhos técnicos e científicos publicados em congressos e em revistas científicas com arbitragem no país e no exterior. Consultor de empresas nas áreas de Corporate Finance e Valuation e parecerista em assuntos financeiros.


Fonte: Gennegociosegestao.com.br/

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