Buscar

Fluxo de Caixa e DRE: quais as diferenças?

O dono de uma organização precisa estar sempre de olho no desempenho das operações de seu negócio. Do mesmo modo, o investidor que decide investir em empresas também deve realizar análises. Dentre elas está a da gestão econômico-financeira do negócio.


Para isso, existem dois relatórios contábeis essenciais, que são Fluxo de Caixa e DRE (acrônimo para Demonstrativo de Resultados do Exercício). Juntos, eles se complementam e, por meio deles, é possível ter algumas informações importantes durante o processo de avaliação de uma empresa.


Neste artigo explico melhor sobre como funcionam os dois indicadores – DFC e DRE – e quais suas principais diferenças. Acompanhe!


O que é DFC?

DFC é acrônimo para demonstrativo de Fluxo de Caixa. Ele mostra a situação financeira da empresa no dia a dia, pois considera o registro de entradas e saídas na data em ocorreram, efetivamente.


Por exemplo, imagine uma empresa X que teria que receber o pagamento de R$ 5 mil de um cliente nos meses de janeiro, fevereiro, março e abril. Por algum problema, este cliente atrasou e fez os pagamento nos meses seguintes.


Neste caso, o DFC mostrará, nos meses de maio, junho, julho e agosto o valor de R$ 5 mil correspondente à entrada do cliente.


Por representar o movimento do caixa, é que dizemos que a análise de DFC trabalha pelo regime de caixa.


Por que o demonstrativo de Fluxo de Caixa é importante para o investidor?

A leitura do Fluxo de Caixa mostra exatamente como está a conta bancária de uma empresa, bem como a previsão de entradas e saídas. A partir de uma análise de contas a pagar e a receber no curto prazo, o investidor consegue avaliar se a organização tem dinheiro (isto é, liquidez) para honrar com seus compromissos.


Portanto, entre Fluxo de Caixa e DRE, é o primeiro que mostra se uma empresa, mesmo dando lucro, tem capital de giro no curto prazo para pagar suas contas.


Quais as desvantagens do DFC?

A visão de caixa não mostra como está o resultado operacional de uma organização. Se uma empresa passa alguns dias com saldo negativo em sua conta, alguém de fora pode achar que ela está tendo prejuízos.


O contrário também pode ocorrer. Se uma empresa tem diversos clientes que pagam à vista, a análise de Fluxo de Caixa poderá mostrar um superfaturamento.


Investidores sem o conhecimento adequado podem acreditar que estes números representam que a empresa está tendo lucro, esquecendo que ela precisará de dinheiro para manter suas operações nos meses seguintes.


Esta falsa sensação de bons resultados também pode ocorrer dentro da própria empresa. Contudo, quando falamos em empresas de capital aberto, é incomum que haja qualquer tipo de confusão neste sentido.


O que é DRE?

O Demonstrativo de Resultados do Exercício é o oposto do DFC. Ao invés de considerar receitas, despesas, custos e investimentos no mês em que foram recebidos ou pagos, ele se baseia na data em que o evento ocorreu. Ou seja, na data do efeito gerador.


Utilizando o mesmo exemplo, mesmo que o cliente tenha realizado o pagamento somente nos meses de maio, junho, julho e agosto, o registro no DRE se dará da seguinte maneira: janeiro R$ 5 mil, fevereiro R$ 5 mil, março R$ 5 mil e abril R$ 5 mil.


O Demonstrativo de Resultados do Exercício trabalha pelo regime de competência.


Por que o Demonstrativo de Resultados do Exercício é importante para o investidor?

É o DRE que dará alguns indícios ao investidor se a empresa está com uma boa estrutura financeira e se o negócio é viável. Também é por meio da análise desse demonstrativo que será possível entender se a organização tem capacidade para gerar lucro suficiente, a fim de pagar suas contas.


Além disso, o DRE funciona como uma radiografia que mostrará o momento em que a organização atingirá seu break even point, que é o ponto de equilíbrio financeiro. Ele apresenta em que momento o ciclo de vendas do negócio deve sair do prejuízo para dar lucro.


Em outras palavras, o break even point indica o faturamento mínimo mensal (a quantidade mínima de produtos ou serviços a ser vendida) que a empresa deve ter para cobrir todos seus gastos e começar a ter lucro.


Tudo isso, como mostrei a você, sem considerar a data em que as entradas serão recebidas e as saídas serão pagas.


Quais as desvantagens do DRE?

Pelo regime de competência, mesmo vendas a crédito são lançadas como receita – não considerando a verdadeira realidade do caixa. Justamente por isso, ao realizar a análise isolada do DRE, o investidor pode acreditar que a empresa tem muito capital de giro disponível – quando, na verdade, ela não consegue honrar seus compromissos.


Nesse ponto, você pode se perguntar: isso significa que, entre análise de Fluxo de Caixa e DRE, um indicador é melhor que outro? Para encontrar a resposta, continue a leitura nos próximos parágrafos.


Fluxo de Caixa e DRE: qual utilizar?

Na verdade, não se trata de escolher entre um e outro, mas sim de entender que tanto o Fluxo de Caixa quanto o DRE são importantes para a análise da saúde financeira de um negócio.


Como mostrei, os relatórios de Fluxo de Caixa e DRE possuem objetivos bem específicos. Muitas vezes uma empresa mostra lucro na sua demonstração de resultados do exercício, mas não tem capital de giro para pagar suas contas (algo mostrado pelo DFC).


Quando isso ocorre, a equipe financeira da empresa pode avaliar se o problema está na inadimplência dos clientes ou até mesmo nos prazos de pagamento e recebimentos mal estabelecidos.


Ressalto que, para investidores que procuram empresas para investir, as análises de Fluxo de Caixa e DRE são indicadores fundamentalistas que devem ser analisados em conjunto. É comum quem pense que o DFC não tem muita importância – o que pode representar um erro.


Tenha em mente que, sozinha, a análise do regime de competência (DRE) pode acarretar o mau dimensionamento da capacidade de geração de caixa da organização sendo avaliada. E isso pode ser um primeiro passo para um investimento mal estudado – e, consequentemente, mal feito.


Concluindo

Seja você um investidor ou até mesmo dono de um negócio, é sempre importante ter conhecimento de como fazer uma análise boa e compreender o que cada um desses relatórios contábeis mostra sobre a empresa.


Fonte: Josekobori.com.br/

© 2020 - Contador SC.