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Escrituração e raciocínio do débito e do crédito

1 – A escrituração é a parte mais difícil da Contabilidade?

Muitas pessoas compreendem a escrituração como a parte mais difícil da Contabilidade.


Discordamos como sendo a parte mais difícil, porém, cremos que ela seja não tão difícil ou impossível, mas, exigente do escriturador o raciocínio básico do eu serve a escrituração e como se faz o mesmo registro.


Lembremo-nos que os primeiros contadores eram chamados de racionatore ou racionai, isto é, aqueles que contabilizam e estabelecem as contas.


Pensar em Contabilidade, raciocinar o comportamento do patrimônio, identificando a marcha dos investimentos, financiamentos, custos, receitas e rédito; também detectando as deficiências nos acontecimentos que compreendemos como patológicos, é o fundamental e o mais técnico entendimento em Contabilidade.


Mas, até mesmo contadores possuem certa dificuldades em entender o mecanismo das partidas dobradas, é muito maior o seu entendimento, e apresentaremos várias maneiras de se entendê-la.


A dificuldade existe para quem começa, mas, depois de assimilar o essencial, ou a alma da matemática, na partida dobrada, tudo fica mais fácil no seu entendimento.


O método depois da sistematização, consiste em equação matemática, e possui mais de 500 anos, perdurando até hoje, devido à sua razão estar ligada no que expressa causa e efeito (mas, em dois acontecimentos ao mesmo tempo).


Vejamos como o débito e crédito é registrado e os elementos necessários para a sua aplicação.


2 – O lançamento e a Conta


A forma como se realiza o débito e o crédito chama-se lançamento.


O lançamento nada mais é que a realização dos registros. É o anotar os registros, isto é, o escrever, ou proceder à escrituração.


Dizemos “lançar” como pressupostos de “registro” – “vai-se lançar” é o mesmo em vulgo em dizer que “vai-se registrar”, ou colocar em contas o acontecimento -, deve-se saber identificar os fatos e fenômenos contábeis ou patrimoniais.


Por isso, as ideias do que sejam as contas, como o funcionamento na informação, ou marcação dos saldos, para quê elas servem dentro do contexto do plano de contas é fundamental aos estudos.


Embora a matemática sobre o plano de contas seja muito mais ampla, é mister agora termos uma noção do que seria o débito ou o crédito, e como se pensar para fazer débitos de uma conta, ou fazê-la creditar.


Acreditamos ser também indispensável este raciocínio.


O plano de contas é um elemento fundamental para a compreensão dos registros.


As contas são necessárias para a realização do lançamento, sendo que logo depois, a síntese das mesmas, se gerará uma peça de fundamental base para os estudos da Contabilidade que se chama “Balanço” seguido da “Demonstração do Resultado do Exercício”.


A conta pode ser concebida como o nome que se dá ao fato ou acontecimento patrimonial.


Ou também como A EXPRESSÃO SIMBÓLICA DO FENÔMENO PATRIMONIAL, na sua coisa em si.


O lançamento, repetimos, seria o modo como se realiza o débito e o crédito, ou o registro.


Um é totalmente ligado ao outro, não pode existir lançamento contábil, sem contas, mas, o inverso pode existir, ou seja, contas sem lançamentos por uma eventual condição.


O termo “lançamento” indica algo manual ou mecânico de ser feito, hoje ainda são realizados pelo contador, todavia, cremos que num futuro não muito distante, não faremos a escrituração desse fato, como já não é feita toda a apuração dos fatos, tudo isso é absorto por máquinas, dispensando o mecanicismo mental do contador, embora tenha que dominar a técnica de modo manual contundentemente.


O lançamento se realiza por meio das contas sendo uma ENTRADA DE INFORMAÇÕES.


Hoje o computador processa os registros, e já procede na elaboração automática das demonstrações contábeis.


3 – O débito e o Crédito


Várias idéias existem sobre o débito ou o crédito, algumas até um pouco complicadas, pela forma de sua explicação, alguns dizem que o débito “deve” à conta credora que “acredita” no débito, e assim por diante, outros dizem dos termos “deve” e “haver”, outros inspiram no antigo razão para confortar o entendimento do mecanismo de contas, etc. Todas estas vertentes centram num só ponto material:


O débito é um efeito da aplicação dos recursos.


O crédito é uma causa da origem de recursos.


Um representa a aplicação de riquezas, o outro a sua origem, por isso o registro vai se apresentar sempre como duplo, representando os dois lados de uma moeda.


Ainda devemos admitir que há uma natureza nas contas.


Elas podem ser devedoras ou credoras, dependendo da qualidade do fenômeno que é simbolizado.


Geralmente quando são bens e créditos, são devedoras as contas, e quando são dívidas capitais próprios são credoras. Isto com a exceção das chamadas contas redutoras (que estão postadas de um lado do balanço, porém, são de natureza contrária ao lado que estão postadas).


No sistema de resultado, quando são despesas e custos, são devedoras as contas (por serem aplicações) e quando são recuperações dos gastos, ou receitas, juntamente com o lucro, são credoras (por serem origens) as contas.


Portanto, o ativo de investimentos e os custos com despesas, nada mais são do que aplicações de capital ou riquezas, portanto, efeitos do patrimônio. E o passivo ou o capital passivo, representa juntamente com as receitas ou recuperações, as causas do patrimônio, as origens de recursos, ou fontes para os mesmos.


Por diferença, entre um débito ou o crédito chamaremos hora em vez de saldo, em vez de situação. Quando, pois, há saldo entre o Ativo e o Passivo dizemos que há figuração de uma situação positiva. Mas este é outro caso.


O importante é garantir que o débito considera-se como uma aplicação de recursos e os créditos como origem dos mesmos. Causa e efeito em lógica matemática.


4 – O raciocínio de “causa” e “efeito”


O crédito é uma causa e o débito é um efeito de um outro acontecimento.


Em verdade parecer ser dois os acontecimentos (compreendidos como mutações) no registro duplo (o acontecimento em si, uma alteração do efeito e uma alteração da causa).


Consideremos –lo como na visão tradicional como CAUSA e EFEITO.


A causa é uma origem.


Quando se realiza os Financiamentos de capital, as receitas ou retornos, nós temos causas ou fontes de recursos, elas, pois, que são creditadas quando acontecidas.


O débito é um efeito.


Quando se realiza investimentos, custos, e despesas, há neste casos aplicações de recursos, portanto, acontecimentos de efeitos no capital.


Ambos – causa e efeito – são alterações na mutações, consideradas como entradas e saídas de recursos, ou como super e subveniências, independentes de serem ocorridas no ativo ou no passivo, seja na estrutura dos resultados (fora o acontecimento que a expressa).


O registro se forma pelos débitos e créditos que representam o efeito e a causa dos fenômenos patrimoniais. Na verdade, os registros denotam toda uma condição de variação dos acontecimentos. Isto porque o registro do débito e do crédito representam uma equação matemática:


A = B


Dessa forma pela matemática também entendemos a causa e o efeito na contabilidade porque a partida dobrada é uma equação matemática.


5 – Como entender o débito e o crédito


Ao escriturarmos, devemos sempre ter em mente o que seria o processo de escrituração. Já dissemos que ele é causa e efeito.


Portanto, ao escriturarmos perguntamos o que aconteceu? Temos o efeito. E também perguntamos qual é a causa desses acontecimentos? Temos o crédito.


Então sabendo o que aconteceu e qual é a causa temos todo o conhecimento do mecanismo de registro.


Um exemplo seria a compra de Mercadorias:


O que aconteceu? A compra, um débito D – Compras de Mercadorias


O que a causou? O dinheiro, um crédito C – Caixa ou dinheiro


Esta seria a maneira mais plausível de entender a partida dobrada, ou compreender o seu mecanismo.


É uma maneira matemática e material ao mesmo tempo.


Também poderíamos nos perguntar qual foi a aplicação? Ou qual foi a origem? Para sabermos o que é o débito ou o crédito.


Qual foi a aplicação? Compras


Qual foi a origem? Caixa


Então:


D – Compras de Mercadorias


C – Caixa


Também, dessa maneira, entenderíamos como debitar ou creditar as contas. Tudo se interage com o movimento dos acontecimentos repetitivos. O importante seria não só movimentar as contas, mas, saber porquê se está movimentando, ou quais são as duas mutações do mesmo fato.


Há ainda uma forma hoje pouco utilizada e que não é muito aconselhada, mas, só a citamos por um efeito de detalhe.


Antigamente – ainda, há cerca de 80 anos atrás – para se conhecer o mecanismo da partida dobrada, tinha-se que imaginar numa figura personalista, quais seriam as “pessoas” das contas.


O que seria então as contas? Seriam as pessoas, num pensamento fictício, ou seja, toda vez que se fosse registrar imaginava-se a conta como se fosse uma pessoa, ou como a própria pessoa, a tudo o que se faz debita-se e a tudo o que lhe busca e paga, credita-se. O próprio Paciolo dizia para fazer da conta uma pessoa que a tudo o que se paga ou recebe debitasse ou creditasse, como se uma pessoa fosse.


Se faço da minha imaginação uma pessoa que tenho que ter em mente também “eu” que faço. Ou seja, no mesmo caso de fenômeno de compras:


Fenômeno de Compra


Quem comprou? Eu Comprei – Debita-se


Quem Pagou? Eu paguei a ele – Credita-se


Neste raciocínio fictício, o modo de se apresentar, o crédito e o débito, porém, é uma idéia jurídica e nem sempre resolve para todos os fins de registro (a exemplo o que englobava em “Diversos”, e “ em outras contas”).


Todavia, para um efeito didático o iniciante deverá ou poderá utilizá-lo com cuidado, pensando todavia, da forma errônea que não é uma pessoa a conta, e sim um valor material.


Esta forma perigosa deverá ser protegida da mente, para que não se caia no absurdo, ou para manter a prática de uma maneira correta.


Devemos ressaltar, também que a lógica principal da partida dobrada é a causa e o efeito em materialidade patrimonial e matemática bastaria isso para compreender tal forma de se registrar.


6 – Alguns exemplos práticos


Para exemplificar podemos mencionar alguns fenômenos específicos:


Aquisição de Veículos com promissórias


O que aconteceu? O investimento em Veículos, um débito D – Veículo


O que causou? A promissória a pagar, um crédito C – Promissórias a Pagar


Recebimento de clientes a dinheiro


O que aconteceu? Um recebimento financeiro, um débito D – Caixa


O que causou ? Os clientes, um crédito C – Clientes


Pagamento de Duplicatas com cheque


O que aconteceu? Pagamento de Duplicatas, um débito D – Duplicatas a pagar


O que causou? O cheque, um crédito C – Bancos Conta Movimento



Depósito de dinheiro no Banco


O que aconteceu? Um depósito, um débito D – Banco Conta Movimento


O que causou ? O dinheiro, um crédito C – Caixa


Aplicações Financeiras na Conta


O que aconteceu? Uma aplicação Financeira, um débito D – Aplicações Financeiras


O que causou? O dinheiro, um crédito C – Caixa


Vendas de Títulos a vista


O que aconteceu? A negociação a vista, um débito D – Caixa


O que causou? A venda de títulos, um crédito C – Vendas de Títulos


Pagamento de Fornecedores a vista


O que aconteceu? O pagamento de Fornecedores, um débito D – Fornecedores


O que causou? O dinheiro, um crédito C – Caixa



Investimentos em Ações de outras empresas


O que aconteceu? Ações em outras empresas, um débito D – Ações de empresas


O que causou? O dinheiro, um crédito C – Caixa


Pagamento de despesas à vista


O que aconteceu? Um pagamento de despesas, um débito D – Despesas


O que causou? O dinheiro, um crédito C – Caixa


Pagamento de contas a pagar


O que aconteceu? Um pagamento de contas a pagar, um débito D – Contas a Pagar


O que causou? O dinheiro, um crédito C – Caixa


Desta maneira teríamos alguns dos elementos importantes para o lançamento. Com base nestes raciocínios podemos começar o entendimento da escrituração, com uma das técnicas fundamentais da contabilidade.


Contador Rodrigo Antonio Chaves da Silva


Fonte: Profrodrigochaves.com.br/

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