Buscar

Classificação entre circulante e não circulante de acordo com o CPC 26

De maneira geral, os ativos e os passivos devem ser separados e classificados em circulante e não circulante. No entanto, o CPC 26 (R1) prevê, em seu item 60, que, em circunstâncias em que uma apresentação baseada na liquidez proporcionar informação confiável e mais relevante, todos os ativos e passivos devem ser apresentados em ordem de liquidez. Independentemente do método utilizado, a entidade deve divulgar o montante esperado a ser recuperado ou liquidado em até doze meses ou mais do que doze meses, após o período de reporte, para cada item de ativo ou passivo. No Brasil, a classificação do ativo deve seguir a ordem de liquidez, dentro dos grupos de circulante e não circulante para os ativos, e a ordem de exigibilidade, dentro dos grupos de circulante e não circulante para os passivos. Ativo circulante A classificação como ativo circulante deve ser feita quando satisfizer qualquer um dos critérios a seguir: “(a) espera-se que seja realizado, ou pretende-se que seja vendido ou consumido no decurso normal do ciclo operacional da entidade; (b) está mantido essencialmente com o propósito de ser negociado; (c) espera-se que seja realizado até doze meses após a data do balanço; ou (d) é caixa ou equivalente de caixa (conforme definido no Pronunciamento Técnico CPC 03 – Demonstração dos Fluxos de Caixa), a menos que sua troca ou uso para liquidação de passivo se encontre vedada durante pelo menos doze meses após a data do balanço.” (CPC 26 (R1), item 66.) O ciclo operacional da entidade, descrito na alínea (a), supra, é entendido como o prazo entre produzir, vender e receber. Assim, em uma indústria, por exemplo, o ciclo operacional é o tempo entre a compra de matérias-primas, seu processamento, sua venda e o seu efetivo recebimento financeiro. Na maioria das empresas, o ciclo fica dentro dos doze meses previstos na norma, mas, em alguns tipos de atividade, o ciclo pode ser muito maior, como é o caso de fabricação de navios. Dessa maneira, a classificação em circulante poderá seguir o ciclo econômico da entidade. Caso não seja possível a determinação do ciclo, deve-se assumir o período de doze meses. As principais contas mantidas no ativo circulante são: a1. Disponibilidades (caixa e equivalentes de caixa) caixa; depósitos bancários à vista; aplicações financeiras de livre movimentação.

a2. Créditos duplicatas a receber (clientes); (–) provisão para créditos de liquidação duvidosa; adiantamentos (a empregados, viajantes, fornecedores etc.).

a3. Estoques mercadorias para revenda; produtos acabados; produtos em elaboração; matérias-primas; materiais de consumo (embalagem, lubrificantes etc.); (–) provisão para ajuste de estoques.

a4. Aplicações financeiras CDB (certificado de depósito bancário); RDB (recibo de depósito bancário); fundos bancários de renda fixa, variável ou mista;3 ações cotadas em bolsa; títulos da dívida pública; (–) provisão para ajuste de títulos e valores mobiliários.

a5. Despesas do exercício seguinte despesas pagas antecipadamente (juros, seguros, aluguéis etc., antecipados, diferidos ou a vencer).

Ativo não circulante Todos aqueles ativos que não satisfaçam os critérios de um ativo circulante devem ser classificados como ativo não circulante. Os subgrupos do ativo circulante são os seguintes: a. Realizável a longo prazo Engloba os valores realizáveis em prazo superior a doze meses da data do balanço, assim como os valores cujo prazo de realização seja considerado duvidoso ou incerto. a1. Valores realizáveis em prazo superior a doze meses da data do balanço os mesmos do circulante (menos as disponibilidades).

a2. Valores com prazo de realização duvidoso ou incerto depósitos judiciais (para recursos fiscais, trabalhistas etc.); débitos de sócios, diretores, firmas coligadas ou controladas.

b. Investimentos Aplicações permanentes em outras empresas e em bens destinados a produzir renda. Ao contrário do imobilizado (item “c”, infra), são valores desnecessários à manutenção das atividades da empresa. ›› Participações em interligadas: • controladas, subsidiárias e coligadas. ›› Participações decorrentes de incentivos fiscais: • Nordeste (Finor), Amazônia (Fidam), turismo, pesca etc.; • participações permanentes em outras empresas; • bens destinados à renda (principalmente imóveis). c. Imobilizado Aplicações em valores necessários à manutenção da atividade. A alienação de qualquer um desses valores (sem reposição imediata) prejudicaria ou, até mesmo, paralisaria a atividade normal da empresa:

imóveis; móveis e utensílios; máquinas e equipamentos; veículos etc.; (–) depreciação acumulada.

d. Intangíveis Intangíveis são bens ou direitos incorpóreos, ou seja, não é possível vê-los e/ou tocá-los: marcas e patentes; ágio por expectativa futura ou goodwill; franquias; (–) amortização acumulada; direitos de exploração (mineral ou florestal); (–) exaustão acumulada.

Passivo circulante A classificação como passivo circulante deve ser feita quando satisfizer qualquer um dos critérios a seguir: “(a) espera-se que seja liquidado durante o ciclo operacional normal da entidade; (b) está mantido essencialmente para a finalidade de ser negociado; (c) deve ser liquidado no período de até doze meses após a data do balanço; ou (d) a entidade não tem direito incondicional de diferir a liquidação do passivo durante pelo menos doze meses após a data do balanço (…). Os termos de um passivo que podem, à opção da contraparte, resultar na sua liquidação por meio da emissão de instrumentos patrimoniais não devem afetar a sua classificação.” (CPC 26 (R1), item 69.) Exemplos de passivos circulantes: duplicatas a pagar (fornecedores); empréstimos bancários; impostos a pagar; contribuições a recolher; provisão para imposto de renda; provisão para contribuição social; provisão para férias; provisão para o décimo terceiro salário; adiantamentos de clientes; outros credores.

Passivo não circulante Todos aqueles passivos que não satisfaçam os critérios de um passivo circulante devem ser classificados como passivo não circulante.


JOSÉ CARLOS MARION É mestre, doutor e livre-docente em Contabilidade pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/ USP). É professor e pesquisador do Mestrado em Contabilidade na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Dentre os 29 livros publicados na área contábil, é autor de Contabilidade rural, Contabilidade empresarial e Contabilidade básica e coautor de Curso de contabilidade para não contadores, Contabilidade avançada, Introdução à teoria da contabilidade, Contabilidade comercial, Administração de custos na agropecuária, Manual de contabilidade para pequenas e médias empresas, Contabilidade geral para concurso público, Contabilidade da pecuária e Normas e práticas contábeis, publicados pelo GEN | Atlas.


Fonte: Gennegociosegestao.com.br/

Posts recentes

Ver tudo

IPO: Vale a pena entrar?

Com o reaquecimento do mercado de capitais depois do choque do coronavírus, mais de 50 empresas estão na fila para colocar suas ações na Bolsa. Vale a pena entrar nessa onda do IPO? Bom, a resposta de

7 meios de internacionalizar as organizações

Todas as organizações – desde as pequenas até as gigantescas – têm uma variedade de meios para se envolverem em negócios internacionais. Trata-se de desenvolver mercados para seus produtos em outros p

Planejamento estratégico, agora é hora!

Vou fugir dos clichês que existem para os momentos de crises em chinês, japonês, javanês. Vou me concentrar no que realmente importa, no que devemos fazer num momento de crise como o que estamos viven

© 2020 - Contador SC.