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Benefícios de abrir o capital são maiores do que os custos

Vale a pena abrir o capital na bolsa brasileira – é o que aponta a pesquisa “Custos de operação como companhia aberta”, realizada pela Deloitte em parceria com a B3. Para dois terços das empresas respondentes do estudo, os custos decorrentes de participar do mercado de ações são compensados pelos benefícios.


Entre as principais conclusões da pesquisa, que trouxe a participação de 51 empresas listadas na B3, atuantes em 12 diferentes setores, destaca-se que mais da metade dos participantes indicou que os valores não passam de R$ 1,5 milhão por ano, e 58% consideram que os custos relacionados à manutenção como companhia aberta são iguais ou menores dos que os previstos.


“Ao fazer um IPO, as companhias devem se preparar para arcar com os custos de manutenção de sua operação como uma empresa de capital aberto”, relata Carlos Zanotta, sócio da área de Global Capital Markets Group da Deloitte. “A pesquisa realizada pela Deloitte e pela B3 destaca que esses custos tendem a ser compensados por benefícios, uma vez que as organizações, quando têm ações negociadas na B3, são mais bem precificadas e têm maior facilidade e menor custo para captar recursos”.


Elas relataram que, de fato, existem custos adicionais para quem abre o capital. Entre os requisitos obrigatórios estão auditorias independentes, taxas de manutenção, departamento de relações com investidores, governança corporativa e comunicações.


“A média anual dos gastos que as empresas tiveram para manterem-se como companhia aberta varia de acordo com a receita”, afirma Rogério Santana, Diretor de Relacionamento com Empresas e Assets da B3. “Entre as empresas com faturamento menor do que R$ 300 milhões por ano, a média anual com os custos recorrentes como companhia aberta é de R$ 800 mil. Já entre as empresas com receita líquida maior do que R$ 2 bilhões, esses custos são, em média, de R$ 3,85 milhões”.


Da amostragem entrevistada, 53% têm receita maior de R$ 1 bilhão e 66% dos respondentes estão em cargos de liderança. Mais da metade das empresas realizaram a abertura de capital até 2010, sendo 39% antes de 2005.


Diferentes motivações

Sete em cada 10 empresas participantes da pesquisa tiveram como motivação da abertura de capital a captação de recursos no mercado. Metade citou a busca por aumentar a abrangência e a participação no mercado. Para 36%, três fatores também eram importantes: estruturar-se para futuras fusões e aquisições, promover a sustentabilidade do negócio a longo prazo e reduzir o custo do capital.


“A pesquisa também identificou que quase dois terços das empresas levaram menos de um ano para realizar a abertura de capital. Sendo que, para três em cada quatro respondentes, o tempo de abertura de capital foi igual ao planejado inicialmente”, informa Rogério Santana. O processo de preparação para a abertura de capital incluiu o aumento no quadro de funcionários em áreas estratégicas, como relações com investidores, governança, compliance e controles internos.


As empresas sinalizam que tais investimentos provocados pela abertura de capital trazem benefícios relacionados à visibilidade no mercado, além da melhoria de controles e processos de governança, que reforçam a confiança e geram oportunidades de captar recursos mais facilmente e com menor custo.


“Em outras palavras, parte do investimento é convertido no fortalecimento das próprias companhias”, afirma Carlos Zanotta. “Quanto mais bem preparada a empresa estiver para esta nova condição como companhia aberta, mais benefícios ela poderá colher com a abertura de capital, tais como ganho de valor de mercado, reputação e visibilidade e mais oportunidades para captação de recursos”.


Por Deloitte


Fonte: Valor