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Administração financeira e liquidez dinâmica em introdução

Os elementos em circulação, nas suas qualidades e quantidades, quando estudados no aspecto de solvência, ou solvibilidade do capital, estão contidos no sistema de liquidez, cuja tradição deriva de mais de um século em nossa disciplina.



A liquidez foi o primeiro aspecto a ser estudado nos padrões de quocientes da análise contábil, produzida pelos americanos, encetada em 1905 por Alexander Wall; e o quociente de liquidez “current assets”, fora o primeiro a ser praticado, e gerado nos estudos proporcionais dessa mesma função patrimonial.



Era necessário saber se havia uma proporção suficiente para o pagamento das dívidas, ou das exigibilidades, de modo a verificar se os elementos investidos eram importantes ou absorviam corretamente os compromissos firmados, tanto em bancos pelos empréstimos e financiamentos, quanto em fornecedores, e demais dívidas com funcionários da empresa, governos, acionistas, e outras origens mais.



O estudo proporcional foi de tal forma radical que se pensava que a quantidade era melhor que a velocidade do mesmo capital. Isto fez surgir a noção do quociente de liquidez comum em “two for one”, ou seja, “dois para um” para cada um real de dívida a empresa deveria ter duas unidades para pagamento. Padrão este paralógico, foi com o tempo criticado, não somente pelo próprio Wall, pioneiro nestes estudos, mas, por outros americanos, como Bliss, Gilmann, Beranek, e Johnson, tal como por outros cientistas como Alberto Ceccherelli, Egidio Gianessi, Antonio Lopes de Sá, Américo Matheus Florentino, e muitos outros que não aceitavam tal padrão. Discordando desta posição, apresentaram novas teses em relação à concepção de tal quociente 2:1, sendo este resultado aceito até por grandes personalidades da contabilidade daquela época, claro, com inúmeras restrições.



O problema é que a liquidez da empresa, e conseqüentemente o diagnóstico financeiro deverão ser medidos não apenas pela proporção, todavia, na extensão das suas qualidades que se expressa também pela sua capacidade de renovação.



Para o fluxo de capacidade de pagamento, é muito melhor existir funcionamento e prazos compatíveis, do que necessariamente uma proporção (há proporções no balanço que podem se apresentar em $ 1.000,00 aparentando ser baixa em relação a um grupo, com um giro de poucos dias, ou dezenas de vezes no exercício social).



É o caso pratico daquela liquidez que se apresenta $ 2,00 para $ 1,00, todavia, os estoques não possuem velocidade na venda.


Em resumo pouco adianta ter uma proporção financeira, se esta não se movimenta, ou se transforma em dinheiro no tempo certo (antes da exigibilidade).



O que vale em verdade é a agilidade do realizável em conseguir dinheiro para derrotar a necessidade do exigível, senão, existirá aumento do endividamento, dos custos, das despesas, e ineficácia da liquidez.


Os quocientes utilizados para mensurar os prazos, ou calcular os fenômenos dinâmicos do ativo circulante são os seguintes:



Prazo médio de estocagem (PME)



Estoques x 360



CMV (custo das mercadorias vendidas)




Prazo médio de recebimento (PMR)



Créditos x 360


Vendas Líquidas



Assim, uma empresa comercial pequena que vende líquido cerca de $ 80.000,00 com um crédito de $ 20.000,00, possuindo um estoque de 10.000,00 e um custo de $ 30.000,00 terá, pois, os seguintes prazos de realização da sua transformação em dinheiro:



PME: 10.000,00 x 360 = 120 Os estoques realizam-se em dinheiro em 120 dias.


30.000,00



PMR: 20.000,00 x 360 = 90 Os créditos realizam-se em dinheiro em 90 dias.


80.000,00



A soma dos dois resultados dará o ciclo operacional (CO), ou o ciclo da atividade financeira (CAF):



CO ou CAF: PME + PMR


CO: 90 + 120 = 210 dias



Os realizáveis, pois, geram cerca de 210 dias para se renovarem no tempo comercial, isto é, 360 dias. É um resultado longo. Todavia, não pode ser julgado por si, deverá ser observado em relação ao passivo circulante, cujas análises dos prazos de renovação são as seguintes:



Prazo médio dos fornecedores (PMF)



Fornecedores x 360



Compras



Prazo médio dos financiamentos bancários (PMFB)



Empréstimos x 360



Saldo conseguido em bancos



Supondo que a empresa compre no período cerca de $ 50.000,00 e tenha um fornecedor de $ 25.000,00 e tenha um saldo de empréstimo de $ 12.000,00 e tenha obtido no banco cerca de $ 22.000,00. Qual será o tempo dessas dívidas operacionais? Vejamos:



PMF: 25.000,00 x 360 = 180 Os fornecedores levam 180 dias para exigir-se em dinheiro.


50.000,00



PMFB: 12.000,00 x 360 = 196,36 ou 197 Os empréstimos são exigidos em 197 dias.


22.000,00



Desse resultado sabemos que os prazos para se pagar são também altos. O resumo dos resultados dará o ciclo de pagamento (Prazo dessas dívidas):


CP = PMF + PMFB

Assim aplicando:


CP: 180 + 197 = 377 dias

As dívidas são exigidas na proporção específica em 377 dias.



Em resumo temos o ciclo financeiro que nada mais é que a dedução do ciclo de pagamento do ciclo operacional:


CF: CP – CO

Quando o resultado der negativo, existirá um déficit de tempo, quando positivo, existirá um superávit temporal, isso indica que as finanças dinâmicas estão indo bem, devido a existir velocidade de realização do dinheiro antes da necessidade de se ter o dinheiro. No caso estudado:



CF: 377 – 210 = 167 dias



A empresa possui uma folga de 167 dias para conseguir realizar o seu dinheiro, financiada no capital de terceiros.



O caso apresenta que, sendo o tempo maior para transformar em dinheiro cada investimento em ativo, então, a empresa tem não somente um financiamento em terceiros, mas, uma possibilidade de formar lucros, e mais fluxos de caixa, assim atingido a sua dinâmica financeira, isso é, constata-se que o movimento é suficiente para pagar com o dinheiro em quantidade, que é recebida muito antes da sua exigência.


Portanto, quando se recebe antes de se pagar, temos uma eficácia financeira, porque pouco adianta termos uma proporção se esta não se movimenta aos fins de pagamento do capital.



A proporção sem movimento é uma ilusão estática e proporcional, que não condiz com a realidade das finanças, que são mais funções, isto é, movimentos, do que necessariamente “quantidades” ou “valores monetários vultosos”.



É necessário, pois, que a empresa consiga receber, ou agilizar os seus realizáveis em dinheiro antes do exigível, quando, por exemplo, o tempo para se pagar é menor, temos uma capacidade de aumento do endividamento sendo maior, portanto, a liquidez financeira acaba sendo ineficaz, ou seja, poderá provocar problemas de prosperidade muito fortes, que prejudicam não somente a sua capacidade de pagamento, mas, geram a falência do patrimônio.



Portanto, é bom verificar a questão da “liquidez dos prazos” ou “cinemática financeira”, tal como, apresentamos neste breve artigo como uma introdução ao estudo da liquidez dinâmica do capital.


Por: Rodrigo Antonio Chaves


Fonte: Profrodrigochaves.com.br/