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Abrir empresas e manter empresas

Mesmo com a burocracia brasileira em torno da abertura de empresas, podemos dizer relativamente que é fácil abrir um empreendimento. Mas abrir de qualquer maneira. Sem sustentação e sem manutenção suficiente. O que leva aos efeitos deletérios de falência, conhecidos em nosso país, numa média de dois anos.


O bom empresário, na verdade, se faz por um bom contador, embora muitos não queiram seguir os nossos conselhos.


No entanto, para abrir uma empresa, fazer um contrato social bem elaborado, registrá-lo, tirar o CNPJ, emitir as primeiras guias de pagamento, alvarás, etc, é um processo que não dispensa mais que uns 7 dias no máximo. Quando o contador está com a disposição para se fazê-lo. E dependendo da complexidade da empresa. Algumas são mais fáceis de abrir. As sociedades que possuem mais disposições legais (como cooperativas e sociedades anônimas), levam muito mais tempo.


Abrir é muito fácil, o problema é manter a empresa.


Imaginemos sob o ponto-de-vista da sustentabilidade, ou melhor dizendo da suficiência de manutenção da empresa.


Primeiro, tem que existir um capital que resista aos primeiros períodos.


A empresa em formação não tem estoque, ela só tem custo, e diferidos, então tem que bancá-los.


Terá que contratar funcionários. Isso é gasto.


Começar com capital de terceiros, sem tendências de atividade, não é bom.


Pode acontecer que a mesma fonte de capital leve-a para o buraco, uma dívida exagerada com juros, produz endividamentos exagerados, aumentos de custos, prejuízos, e descapitalização.


Alguns empresários não pensam nisso. Contratam e pegam dinheiro sem possibilidade de retorno. Aí fecham seus negócios quase depois de começar.


A arte de vender ou tratar bem um cliente é insuficiente neste caso, se o mercado ou a suficiência não existe de capital. Pensar bonito é bom, mas a realidade de uma empresa tem que se suportar é com a materialidade financeira. É o dinheiro que a sustenta. É necessário um capital.


Mister é um quantum mínimo, se ele não existir, então a empresa morre consideravelmente.


Pois bem, voltemos a primeira forma da empresa: o estoque. Ela compra as suas mercadorias, mas terá muitas despesas no mês, e terá que arcar com todas elas.


O estoque se for vendido, suponhamos em 5 vezes, irá diluir o fluxo de caixa, e a despesa, irá contar normalmente. Em suma não terá o dinheiro suficiente.


Manter a empresa no início, com o giro de clientes em mercados não tão comuns, é praticamente impossível.


Assim, a empresa girando o estoque, terá que possuir igualmente prazos para manter os financiamentos de estoques, senão ela corrói a sua riqueza.


Os prazos que ela dá muitas vezes não consegue com terceiros. Ocorrerá então os déficits financeiros, que deveriam ser cobertos com o capital no início do funcionamento. Se não existir massa, como haverá bolo?


A despesa estará agora acontecendo juntamente com as dívidas, gerando um círculo que só cresce.


Se ela imobilizar a riqueza é pior ainda, o capital fixo não tem perspectiva de retorno algum em curto prazo, a não ser em industrias. Num comércio em geral ele pode não ser bom.


É o caso de empresas que esforçaram para ter um local de trabalho, mas infelizmente, paralisaram todo o capital financeiro no mesmo empreendimento, gerando com isso, mais retrocesso.


Os estoques são vendidos mas de modo dividido. Com isso o fluxo de caixa fica menor. Só que as unidades vendidas devem contar com unidades repostas, e se o lucro não for suficiente ele não manterá nem as unidades existentes.


Se você for perceber uma empresa nos primeiros anos de vida, só tem gastos, dívidas, e investimentos para se manter. Se não houver capital ela não mantém o mesmo.


Então abrir uma empresa no papel é muito fácil, o difícil é manter a empresa bem.


Os empresários mais entusiastas geralmente, são ex-funcionários de uma empresa do mesmo ramo. Lá eles tinham tudo na mão, apenas faziam uma função, ou a de compra, a de crediário, a de almoxarife, etc. Todavia, é diferente ser empresário de ser funcionário.


Como empresários autônomos, a responsabilidade se assoma a ponto de ter que unir todas as funções numa só.


Ele pode não estar preparado para tal coisa, ou tal função, e nisto se perde.


O capital é a base para manter a empresa, como dissemos, nos primeiros anos tudo será apenas custos e dívidas, pode-se estender para dois anos, se ele não tiver reservas suficientes, não conseguirá manter o empreendimento no capital de terceiros.


O pior é quando o empresário novo não aceita opinião, não avaliando o mercado, não pode vender o tanto que necessita; como reporá um capital que não subsiste, se no tempo para ser normal, ele não foi investido de modo suficiente?


Abrir é uma coisa, manter é outra.


Prof. Rodrigo Antonio Chaves da Silva

Da Escola Neopatrimonialista


Fonte: Prof. Rodrigo Antonio Chaves da Silva